sexta-feira, 23 de julho de 2010

O Método de Sherlock Holmes


Ontem o "Cérebro-Casa" fez uma semana, e já faz tempo que não falo de Sherlock Holmes... O Blog nasceu por causa dele e de sua teoria, portanto, nada melhor para comemorar uma semana de existência do que apresentar outra teoria do grande detetive...

No início do primeiro livro de Sherlock Holmes, Sir Arthur Conan Doyle nos apresenta o método analítico-interpretativo de dedução a partir do qual o detetive desvendará todos os casos em que se viu envolvido ao longo de sua vida.
A primeira vista é um método bastante simples: consiste em olhar e conseguir ver o que está evidente, para ele as coisas falam por si só; contudo, ao longo da narrativa e das outras que a seguem, Watson, seu fiel amigo, percebe o quanto pode ser difícil às pessoas comuns perceber a extensão do óbvio.
O trecho a seguir é um fragmento de um artigo lido pelo Dr. Watson em um jornal:


“O Livro da Vida”
“A partir de uma gota de água um lógico poderia inferir a possibilidade de um Atlântico ou uma Niágara sem jamais tê-los visto ou ouvido falar que existem. Analogamente, toda vida é uma grande corrente cuja natureza torna-se conhecida desde que nos apresentem um único elo. Como todas as outras artes, a Ciência da Dedução e da Análise só pode ser adquirida através de estudos prolongados e pacientes; a vida não é suficientemente longa para permitir que um mortal qualquer seja capaz de atingir o ápice da perfeição em seu ofício. Antes de enfrentar os aspectos morais e mentais que apresentem maior grau de dificuldade em determinada questão, convém que aquele que indaga comece por dominar os problemas mais elementares. Que, ao encontrar outro mortal, aprenda a perceber através de um mero olhar a história de um homem e o ofício ou profissão a que se dedica. Por mais pueril que esse exercício possa parecer, ele aguça as faculdades de observação e ensina para onde olhar e o que tentar ver. As unhas de um homem, a manga de seu paletó, sua botina, os joelhos das suas calças, as calosidades de seu indicador e seu polegar, sua expressão, os punhos de sua camisa – eis diversos elementos que permitem discernir claramente a ocupação de um homem. Se tudo isso junto não revelar os fatos ao observador competente... Eis, em qualquer circunstância, uma hipótese praticamente inconcebível”.

(Trecho extraído de O Estudo em Vermelho, de Sir Arthur Conan Doyle, trad. de Heloisa Jahn, 7ª ed., São Paulo, Ed. Ática, 2003, p. 30).

O mais curioso é que o artigo lido por Watson não estava assinado, e após lê-lo este ficou pensando em quantas besteiras são publicadas todos os dias... Não percebera, portanto, que Holmes se divertia com isso sentado a seu lado, pois obviamente fora ele quem escrevera o texto.
Percebem então como é difícil ao vulgo sentir e ver aquilo que está mais evidente? A resposta para os maiores mistérios pode estar debaixo de nossos olhos. Mais de 100 anos já se passaram e ainda temos muito o que aprender com o grande Detetive... Mas quem, senão ele, cogitaria um oceano a partir de uma gota? É por isso que para nós, reles mortais, sempre haverá mistério...

4 comentários:

  1. "Mas quem, senão ele, cogitaria um oceano a partir de uma gota? É por isso que para nós, reles mortais, sempre haverá mistério... "
    Fato.Mas é fato, também, que é no óbvio que reparamos menos, mas fazer o que?Não temos os olhos treinados de Sherlock Holmes, não é?

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    1. nós não podemos ter os mesmo olhos treinados do sherlock holmes mais quem sabe com o tempo ou nesse podemos aprender a ser tão bons quanto ele mais com diferenças!

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    2. mais uma coisa é importante nada é impossível pra qualquer as pessoas!mais ser o ser humano que ele poder fazer o que ele quiser não é verdade?!

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  2. Pois é, Dani... Possivelmente um olhar arguto como o dele só seja possível na ficção... Infelizmente.

    Mas enfim...

    Seja muito bem-vinda ao Cérebro-Casa!
    Beijos,
    Bruno.

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