terça-feira, 20 de julho de 2010

O Vampiro e a Ornitóloga

Até meus 14, 15 anos eu sonhava em ser ornitólogo (que para quem não sabe, e está com preguiça de pesquisar no Google, é um biólogo que se especializou no estudo das aves). Desde pequeno sou fascinado pelas aves, para mim não há criatura mais incrível que um pássaro. Mas conforme fui crescendo meu gosto pela literatura foi se tornando cada vez maior... Sherlock é um dos culpados (ou melhor dizendo, o Canon Doyle), a J. K. Rowling é outra que teve sua parcela de culpa. Tolkien, Orlando Paes Filho, Julio Verne, Álvares de Azevedo, Cruz e Sousa e Machado de Assis entre outros, todos eles e mais alguns outros terminaram por me convencer a mudar de idéia, e é por isso que faço Letras e não Ciências Biológicas... Mas ainda assim gosto de pássaros e tenho uma queda pela biologia... Mas enfim, não é sobre isso que quero falar e sim sobre um livro que li, que tem tudo a ver tanto com meu gosto por pássaros quanto com meu gosto literário.
Refiro-me ao livro O Vampiro da Mata Atlântica, de Martha Argel, a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente no último sábado no evento da Livraria Cultura de que falei nas últimas duas postagens... Vejam só a coincidência: Martha, antes de ser uma escritora, é uma ornitóloga consagrada! Porém, fascinada pela literatura, em especial pela literatura fantástica e pelos seres sugadores de sangue, acabou se tornando escritora e tradutora. Um percurso realmente formidável! E neste livro que acabei de ler, Martha retomou suas raízes e uniu ambas as paixões: os vampiros e a biologia.
Peguei esse livro por acaso. Encontrei Martha no evento, ela comentou sobre o livro e me interessei. No dia seguinte comecei a ler e um dia depois havia terminado. Simples assim. Gosto de ler literatura infanto-juvenil, quebra a rotina de ler tanta coisa séria pela faculdade. Mas o surpreendente é que o livro da Martha não é tão juvenil como a classificação da livraria leva a crer... embora seja a leitura agradável que eu estava esperando...
O livro se trata da história de dois jovens pesquisadores – um ornitólogo e um mastozoólogo (biólogo especialista em mamíferos) – que partem para uma pesquisa de campo numa região serrana da Mata Atlântica onde acabam presos com um vampiro sádico com complexo de serial killer. Obviamente, não vou contar o que acontece depois, mas vou fazer alguns comentários sobre o que mais me chamou a atenção no livro...
A primeira coisa que merece ser comentada é a escrita de Martha. Sua escrita é do melhor tipo: extremamente refinada, impecável, sofisticada, mas ao mesmo tempo, fluída, fácil de entender... Seu livro é daqueles que você lê rápido, não só porque a escrita é agradável, como também porque se quer chegar logo ao fim para desvendar a história.
Outra coisa que me encantou foram as suas descrições: no livro de Martha, você “sente" a Mata! Cada cheiro, cada som, cada cor, tudo ganha vida em sua narração, num fenômeno quase sinestésico, em que é possível sentir tudo isso apenas pela sugestão que suas palavras produzem... Para quem já gosta de animais e plantas como eu é um prato cheio. É como se visse tudo o que os protagonistas vêem. Sem contar, é claro, todo o valor informativo do livro, escrito por quem entende do assunto...
Esse é o diferencial do livro, mas há ainda o fator “surpresa”, essencial em todo livro, isto é, o fato de o livro surpreender o leitor. Além de um toque de humor delicioso... Há, por exemplo, algumas passagens que particularmente adorei que descrevem a vida acadêmica e a vida de um pesquisador-bolsista (coisa que conheço bem, pois faz parte do meu dia a dia)... E ainda como bônus, é possível ter uma visão panorâmica da situação crítica em que se encontra a Mata Atlântica e as espécies que nela habitam...
Com isso acho que dá para ter uma idéia do livro da Martha Argel e espero que fiquem com vontade de lê-lo. Sem dúvida vale a pena, é uma leitura rápida e deliciosa...
O que será que vou ler agora?
PS: Martha Argel estará presente na Bienal do Livro autografando seu novo livro Relações de Sangue e também estará no Fantasticon - 4º Congresso de Literatura Fantástica. Mas depois escrevo mais informações...

4 comentários:

  1. Que texto gostoso, Bruno! Fiquei com vontade de ler este livro... Quando você comentou sobre a escrita de Martha aproximar-se das próprias sensações de se estar numa floresta, lembrei de algo que pensei hoje mesmo enquanto lia o "Ressurreição", do Tolstoi. As descrições de Tolstoi são para mim extremamente realistas a ponto de você sentir aquele gramado colorido da Rússia no verão... rsrs

    Um abraço, querido, vou ler seu blog mais vezes!
    Bruna (sua amiga do francês).

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  2. E quando você precisa de apresentação, Bru? bastava colocar seu nome que eu saberia que é você! hehe... Que coisa boa te ver por aqui!!! Obrigado pelo comentário! Pois é, o livro é muito bom, e tive a honra de conhecer a autora que é um doce! Leia o livro sim, eu adorei o modo como a Martha escreve... Vou procurar mais alguns livros dela para ler e conforme eu for lendo postarei aqui... Leia também, acho que você vai gostar. E eu preciso ler Tolstoi, né? nunca li nada dele...

    Seja muito bem-vinda ao Blog, volte sempre e sempre... Vou adorar ler seus comentários...

    Beijos,
    até mais.

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  3. Oi, Bruno, muito obrigada por sua resenha. Que maravilha que vc gostou do livro, fiquei muito feliz. Coloquei um link no meu blog, ok?
    Abraços, e tudo de bom!

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  4. Olá, Martha! Que honra receber sua visita!!!

    Realmente gostei muito do livro, como tive oportunidade de te dizer... Gostei muito da forma como você narra, descreve, colore, enfim, como dá vida às personagens e principalmente à natureza... Seu livro é sinestésico, dá para praticamente "sentir" a natureza à sua volta...

    Estou ansioso para ler seus outros livros... Assim que eu os ler, postarei aqui também e te aviso.

    E obrigado por linkar meu Blog ao seu... :D
    O seu já está na minha lista de Blogs favoritos!

    A gente se vê dia 21/08 na Bienal do Livro e dia 28/08 no Fantasticon...

    Volte sempre, será sempre muito bem-vinda!
    Abraços,
    até mais!

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