terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Vencedores do Oscar 2013: Alguns comentários BEM pessoais



Um retorno à tradição: uma cerimônia musical
            Acompanhar o Oscar para mim é uma tradição, como já devem ter percebido com meu entusiasmo em minha postagem sobre os INDICADOS. É um momento em que pego a lista de indicados, minha lista de favoritos (que não necessariamente são os que acho que vão ganhar) e acompanho prêmio a prêmio vibrando como se estivesse lá. Falem mal o quanto quiserem, mas o Oscar continua sendo incrível e continua sendo o que todos do mundo cinematográfico desejam receber um dia. Não é apenas um prêmio prestigiado, é um reconhecimento. E mesmo que muitas injustiças sejam feitas, ainda assim, permanece como a maior de todas as premiações (e não são poucas) da Sétima Arte.
            Sem mencionar que a cerimônia em si, é um belo Show!
            Este ano, na 85ª edição dos prêmios da Academia, uma tradição que vinha se perdendo foi restaurada: as apresentações musicais durante a entrega dos prêmios. Ano passado, por exemplo, nem os indicados a canção original tiveram sua vez; este ano, o tema do show foram os grandes musicais e, além de apresentações de algumas das canções indicadas, vimos o elenco de Chicago, Les Misérables e Dream Girls no palco junto com o insosso (e sem graça) apresentador Seth MacFarlene (que fez muita gente sentir saudades do imutável Billy Crystal – imutável, pois suas apresentações são sempre iguais) que, apesar de ruim, não conseguiu atrapalhar a linda apresentação. Dançarinos fizeram belas coreografias (incluindo Daniel Radcliffe, o eterno Harry Potter), e até a queridinha da Broadway, Barbra Streisand nos deu uma palhinha de sua voz.
            Essa edição foi também marcada pelos 50 anos de 007 e, além de Adele, indicada como Melhor Canção Original por Skyfall, ouvimos a magistral Shirley Bassey cantando o tema de Goldfinger (1964).
            Enfim, foi uma bela festa... mas como todo Oscar, teve seus erros e acertos.



Os vencedores e os indicados: erros e acertos
            Uma das graças de se ver o Oscar é tentar prever quem serão os ganhadores. Sempre há os favoritos da Academia (os vencedores de outros prêmios, por exemplo), os favoritos do público e os nossos favoritos, que podem coincidir ou não. Este ano foi atípico, dada a ausência de um favorito, ou melhor, dado o excesso de favoritos. Lincoln, Aventuras de Pi, A Hora mais Escura, Argo, Os Miseráveis, Anna Karenina, The Master, Django Livre e O Lado bom da Vida. Todos esses filmes receberam várias indicações e, por conta disso, não tivemos um grande vencedor da noite já que cada filme ganhou uma parcela dos prêmios.
            Mas vamos de uma vez aos vencedores.
            A primeira categoria da noite foi Ator Coadjuvante. Prêmio complicado, pois só havia grandes atores, todos eles, aliás, já alguma vez premiados pela Academia. Ninguém menos do que o incrível Phillip Seymour Hoffman por The Master; Robert De Niro, por O lado bom da vida; Christoph Waltz, pela brilhante atuação em Django Livre, Alan Arkin por Argo e, por fim, o inesquecível Tommy Lee Jones por seu papel em Lincoln.
            Disputada acirrada, todos são atores incríveis. Contudo, De Niro, por exemplo, fez um papel relativamente simples, sem grandes desafios, logo, por mim, seria o primeiro a ser descartado. Hoffman e Arkin são bons também, mas a verdade é que a grande disputa estava entre Waltz e Lee Jones. Creio que todas as apostas estavam entre os dois. Mas não teve jeito, ganhou mesmo o melhor e o meu favorito: Christoph Waltz levou o primeiro Oscar da noite. Nada mais merecido, Django é um filme incrível, porém, não seria metade do que é se não fosse por Waltz que leva o filme nas costas. Atuação impecável, repleta de sarcasmo de melhor qualidade. O papel do austríaco foi complexo, na pele do médico alemão caçador de recompensas e amigo do escravo Django.
Merecidíssimo!
            As duas categorias seguintes foram: Melhor Curta de Animação e Melhor Animação. Nem é preciso mencionar que a Disney liderou, não só no número de indicações, como por ter levado ambos os prêmios. Os indicados para melhor curta foram: Adam and dog, Fresh Guacamole, Head over heels, Maggie Simpson in “The longest daycare” e Paperman. Destes dois merecem comentários mais detalhados: o estrelado por Maggie e o vencedor Paperman. Confesso que o desenho de Maggie me surpreendeu. Esperava algo humorístico, ácido, aos moldes da série de desenho, mas não. Head over heels... é uma história linda sobre um dia da vida de Maggie em sua escola, onde as crianças sofrem bulling e são classificadas como inteligentes ou medíocres e na qual os “valentões” não são punidos por suas maldades. Em meio a esse cenário tão clichê, a inovação vem da tentativa de Maggie de salvar uma lagarta do tal “valentão” que tenta esmagá-la, como já havia feito com diversas borboletas. Beleza ingênua e pura.
Não menos belo, Paperman conta a história de amor entre dois jovens que se cruzam na estação de trem e se perdem um do outro. Tão singelo quanto o conto de Maggie, o Oscar foi merecido, como o seria se a pequena Simpson o ganhasse. De todo modo, ponto para a Disney que quase nunca erra na mão (salvo em Carros... ô filme ruim!).
            Já na categoria Melhor Animação era Disney para todo lado, com nada menos de três das cinco indicações: Detona Ralph, Valente e o incrível Frankenweenie. Os outros dois indicados foram os esquecidos Piratas Pirados e Paranorman que não fizeram barulho algum, ao menos, no Brasil. Como eu já havia dito na postagem sobre os indicados, acho tanto Valente como Detona Ralph ótimo filmes. O primeiro por fugir um pouco do clichê e trazer uma princesa inteligente para variar (aos moldes de Bela e Mulan). O segundo por trazer o universo por sua criatividade absurda ao trazer o universo dos games à tona (porém, confesso que faltou ousar um pouco mais aqui, quem sabe numa continuação eles acertem mais o tom). Independentemente, porém, das qualidades que qualquer um dos dois possa ter, não se compara a Frankenweenie, do mestre Tim Burton, para mim, sem dúvida, o melhor filme do ano (e não somente animação). Remake de um curta, também de Burton, dos anos 80, Frankenweenie é uma homenagem aos filmes clássicos de terror dos anos 40 e resgata o melhor da técnica em stop-motion, marca característica das animações burtonianas. Dotado de um roteiro incrível, inteligente, perspicaz e bastante macabro para um filme dos estúdios do Mickey, Frankenweenie é um conto de fadas moderno. A eterna história do gênio desajustado e incompreendido, mas que, aqui, tem como amigo o amável cãozinho Sparky que, surpreendendo a todos, morre logo no começo do filme. Trazendo à tona temas como o amor de um cão e seu dono e a possibilidade de devolver vida aos mortos, Tim Burton ousou e ousou muito, em um filme que já nasce clássico, por sua beleza e originalidade. Mas apesar destas tantas qualidades e de muitas outras que eu poderia mencionar como a fotografia (ousada, em preto e branco), a incrível trilha sonora do gênio Danny Elfman e a dublagem com grande elenco, como sempre, Burton foi ignorado e perdeu para Valente, de fato, o segundo melhor filme do páreo. Novamente, Tim Burton foi injustiçado e não foi dessa vez que ganhou seu Oscar. A vida imita a arte e Tim assim como quase todos os seus personagens é um gênio mal compreendido.
Ao menos, foi a Disney quem levou.
Passadas as categorias de animação, foi a vez das categorias de Arte... e a primeira delas foi Direção de fotografia, na qual concorriam Seamus McGarvey por Anna Karenina (ainda inédito no Brasil), Robert Richardson por Django Livre, Claudio Miranda por As aventuras de Pi, Janusz Kaminski por Lincoln e Roger Deakins por 007 – Operação Skyfall. Uma disputa acirrada, pois todos esses tinham fotografias incríveis. Mas o vencedor foi meu favorito da categoria: As Aventuras de Pi que deu um show em cor e luzes há muito não visto. Pi faturou também na categoria seguinte: Melhor Efeitos visuais, que, vamos combinar, era invencível, não é? Afinal, o que foi aquele tigre, o fenomenal Richard Parker? Novamente, parabéns para Aventuras de Pi. A despeito disso, acho justo mencionar que também concorriam nessa categoria, o não menos incrível O Hobbit – Uma Jornada inesperada, outro filme que a Academia pareceu esquecer neste Oscar, talvez, na expectativa das continuações... tomara. Os outros indicados eram: Prometeus, considerado por todos um dos piores filmes do ano, Branca de Neve e o caçador, outro filme insípido, e Os Vingadores, um filme médio, queridinho do público, com muito mais barulho do que mérito no que quer que seja.


            O prêmio de Melhor Figurino foi par Jacqueline Durran, de Anna Karenina, mas também concorriam Paco Delgado, de Les Misérables; Joanna Johnston, de Lincoln; Eiko Ishioka, de Mirror Mirror e Colleen Atwood, de Branca de Neve e o Caçador. Sem levar em conta a qualidade dos filmes, acho que todos mereciam estar nessa categoria, embora o meu favorito fosse Os Miseráveis. Vamos ver se quando Anna Karenina estrear por aqui, eu mudo de ideia.
            Depois vimos o premio de Melhor Maquiagem e cabelo, levado por Os Miseráveis, justo, dada as transformações pelas quais Hugh Jackman passa ao longo do filme, embora, meu favorito, desta vez, fosse O Hobbit, com seus anões, elfos e orcs absurdamente incríveis. Hitchcook também concorria e teria chance se os concorrentes fossem outros.
            As categorias seguintes são as que menos me interessam e, portanto, serei mais breve: Melhor Curta-metragem, cujos indicados eram Asad, Buzkashi Boys, Curfew, Death of a shadow e Henry, venceu Curgew; Melhor Documentário (curta-metragem), cujos indicados foram: Inocente, Kings point, Mondays at Racine, Open Heart e Redemption, venceu Inocente; Melhor Documentário, cujos indicados eram: 5 Broken Cameras, The Gatekeepers, How to Survive a Plague, The Invisible War e Searching for Sugar Man, que venceu. Por fim, Melhor Filme estrangeiro com os indicados: Amour (Áustria), No (Chile), War Witch (Canadá), A Royal Affair (Dinamarca) e Kon Tiki (Noruega), cujo vencedor foi o favorito: Amour (que não vi, mas quero ver, pois parece ter uma história incrível).
            Em seguida, vieram as categorias de som. Foi Les Misérables que levou o Oscar de Melhor Mixagem de Som. Concorriam: Argo, Aventuras de Pi, Lincoln e 007 – Operação Skyfall. Particularmente, achei que Skyfall levava, mas não. E foi justo. Os Miseráveis foi primeiro musical gravado sem playback, algo realmente admirável, os atores cantaram MESMO durante as gravações. Por outro lado, 007 levou o Oscar de Melhor Edição de som, JUNTAMENTE com A hora mais escura, isso mesmo, foi um EMPATE, algo raríssimo na história do prêmio. Concorriam também Argo, Django livre (que merecia o prêmio também), Aventuras de Pi. Embora seja merecido, ninguém me tira da cabeça que Skyfall só levou por causa dos 50 anos de James Bond. Não é comum os filmes da série ganharem algo, muito menos acontecer um empate, então, vi esse prêmio como uma homenagem a essa data tão significativa.
Passados esses prêmios mais técnicos, foi a vez de um dos mais esperados da noite: Melhor Atriz Coadjuvante, no qual concorriam a premiada Sally Field, por Lincoln; a incrível Anne Hathaway, por Les Misérables (mas que podia muito bem ter sido igualmente indicada por sua atuação em The Dark Night Rises); a amável Jacki Weaver, por O lado bom da vida; Helen Hunt, por The Sessions e a sempre indicada, mas nunca premiada, princesa Disney Amy Adams, por The Master. Anne Hathaway levou, e ela era mesmo a melhor. Sua atuação em Os Miseráveis foi breve e marcante, emocionante, na verdade. Das demais indicadas, destaco apenas Sally Field como a Sra. Lincoln – atuação tão bela quanto o filme. Jacki Weaver é uma tiazinha simpática, mas sua atuação em O lado bom da vida, tal qual a de Robert De Niro, não teve nada demais e, a meu ver, nem era digna de indicação.
            O Oscar de Melhor Montagem foi para Argo. Concorriam Aventuras de Pi, Lincoln, O lado bom da vida e A hora mais escura. Eu torcia por Pi, mas enfim, Argo foi uma das estrelas da noite. Já o prêmio de Melhor Design de produção (também chamado de Melhor Direção de Arte) deveria ter ido para O Hobbit – Uma jornada inesperada ou no máximo para Aventuras de Pi e não para o vencedor que foi Lincoln. Creio que dos cinco (também estavam Anna Karenina e Os Miseráveis) era o que menos merecia, não por ser um filme feio ou qualquer coisa que o valha, mas porque esse foi um ano de filmes incrivelmente belos, no sentido mais estético possível do termo. Cada um com sua particularidade, retratavam mundos diversos, com toda sua riqueza de detalhes e cores. Lincoln é um filme bonito, mas enfim... não entendi porque ganhou.
            E então chegamos à minha categoria favorita: Melhor Trilha Sonora que foi absurdamente concorrida. Para começar, tínhamos John Williams assinando a trilha de Lincoln (já que, aliás, sempre compõe as trilhas do Spielberg) uma boa trilha, como sempre, mas sem grandes inovações. Tímida, até. Mas o fato é que John Willians dispensa apresentações, esta foi sua 45ª indicação e ele já levou o prêmio cinco vezes se não me falha a memória. Então, não precisa mais fazer grandes trilhas, bastam boas trilhas. O segundo indicado foi Dario Marianelli pela trilha de Anna Karenina. Como eu disse, na outra postagem, Dario é um compositor de quem gosto, mas conheço pouco (fez a trilha do filme Os Irmãos Grimm e V de Vingança) e normalmente não aparece em destaque, então, gostei da indicação, pois é inusitada. Alexandre Desplat, o terceiro indicado, compositor de Argo, é, como eu havia dito, o cara do momento, tem composto tanto trilhas de filmes mais comerciais como mais artísticos e animações, são dele as trilhas de Harry Potter e as relíquias da morte – parte 1 e 2, A Origem dos Guardiões, Lua Nova (pois, a despeito de tudo, uma coisa é fato, a trilha sonora da Saga Crepúsculo é muito boa), A Rainha, A Árvore da Vida, O Curioso Caso de Benjamin Button, dentre tantos outros para citar apenas filmes recentes. Desplat compôs já mais de 150 trilhas, não foi desta vez, mas ele ainda vai levar um Oscar, tenho certeza. A trilha de 007 – Operação Skyfall ficou a cargo do incrível Thomas Newman que merece destaque pelos trabalhos em Wall-E, Procurando Nemo, e Desventuras em série (uma das melhores trilhas sonoras que conheço). Newman já recebeu inúmeras indicações, mas nunca ganhou, e, assim como Desplat, seria meu favorito, não fosse a indicação de Mychael Danna, responsável pela trilha de Aventuras de Pi, que me encantou com seu exotismo e harmonia. Danna já havia feito grandes trilhas em O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, Quem Quer ser um Milionário e Pequena Miss Sunshine, então, nada mais do que merecido, e, de fato, como eu previ, ele venceu. Mais um para Aventuras de Pi.
Para Melhor Canção Original também achei que ia ser Aventuras de Pi. Não por que fosse a minha preferida (embora seja linda), mas sim porque é a que achei que ia ganhar, pois tem mais a cara da Academia. Concorriam também para essa categoria: “Before my time”, música tema do documentário Chasing Ice; “Suddenly”, de Les Misérables, a música mais fraca do filme, para ser sincero; “Everybody needs a best friend”, uma música bonita, confesso, na voz de Norah Jones (uma cantora que adoro), mas que me revoltou ao ser indicada por ser do filme Ted (outro dos piores do ano, digno de um Framboesa), e, por fim, havia Skyfall, tema do filme 007 – Operação Skyfall e cantada por ninguém menos que a fantástica Adele, minha favorita. Fez-se minha vontade, felizmente, ganhou Adele.

As categorias de roteiro são outras de que gosto muito: Argo venceu Indomável sonhadora, Lincoln, O lado bom da vida e Aventuras de Pi como Melhor Roteiro Adaptado. Como Argo é um dos únicos que ainda não vi, não posso julgá-lo, mas torcia por Lincoln, que, em questão de roteiro, é o melhor destes. Já Melhor Roteiro Original foi para Quentin Tarantino com seu espetacular Django Livre. Confesso que nunca me interessei muito por Tarantino, parecia-me, à distância, um diretor tosco, contudo, depois de ver Django, estou com vontade de ver e rever toda a sua filmografia e dar-lhe nova chance. Oscar merecidíssimo, segundo na carreira do diretor. Não posso deixar de dizer, no entanto, que Frankenweenie também merecia uma indicação de Melhor Roteiro Original. Sei que animação não costuma ser indicada nessa categoria, mas seria justo.
Melhor Direção foi para o diretor do filme mais visualmente bonito do ano: Ang Lee, por Aventuras de Pi. David O. Russell não havia de ganhar, pois O lado bom da vida embora seja um filme incrível, inteligente e muito divertido não se compara com Pi, muito menos com o filme de Steven Spielberg, Lincoln, que também estavam no páreo. Os outros dois indicados, eram filmes mais alternativos, filmes-arte, Amour, de Michael Haneke (que ganhou como Melhor Filme Estrangeiro), e Indomável Sonhadora, de Benh Zeitlin, que, com certeza, tinham mais chances do que Russell. Spielberg fez um trabalho incrível, mas não foi dessa vez; Ang Lee faturou o prêmio pela segunda vez.
Estamos chegando ao final, e, a essa altura ontem, os ânimos estavam exaltados. O Oscar de Melhor Atriz ia ser entregue e, desta vez, Meryl Streep não estava no páreo (sorte das demais, não é?). O nervosismo era claro. Concorreram: Jessica Chastain por A hora mais escura; Jennifer Lawrence por O lado bom da vida; Naomi Watts por O impossível; Emanuelle Rivas por Amour e Quvenzhané Wallis por Indomável sonhadora. Categoria surpreendente, trazia Rivas como a mais velha indicada, completando 86 na própria data (ganhar o Oscar seria um presente de aniversário!), considerada a favorita, seria a chance de sua vida. Quvenzhané Wallis, por sua vez, a menininha incrível de Indomável Sonhadora surpreendeu com seus absurdos 9 anos e simpatia. Mas não teve jeito, o Oscar foi para a eterna mística de X-men: First Class: Jennifer Lawrence, a louquinha de O lado bom da vida, e minha favorita para a categoria. Não obstante, acharia muito justo se madame Rivas ganhasse, afinal, Lawrence, no alto de seus 21 anos ainda teria muitas e muitas chances de conquistar não apenas uma estatueta. Mas enfim, venceu a melhor, creio eu.
            O espetacular Daniel Day Lewis o Lincoln em pessoa, ganhou o Oscar de Melhor Ator. Seu terceiro Oscar, na verdade, o que o coloca como ator que mais recebeu Oscars até hoje ao lado da espetacular Meryl Streep de quem recebeu o prêmio de Melhor Ator (vencedora do ano passado como Melhor Atriz) e Jack Nicholson. A concorrência era boa, mas, sendo sincero, o único que realmente estava no páreo com Day Lewis era Hugh Jackman, por sua espetacular atuação em Les Misérables. Bradley Cooper surpreendeu em O lado bom da vida, foi realmente incrível, mas ainda não era sua vez. Já Joaquin Phoenix (The Master) e Denzel Washington (Flight) para mim são atores menores, fracos, comparados aos outros três.

            Chegamos finalmente, a categoria mais esperada da noite: O Melhor Filme do Ano, categoria em que concorreram nove filmes: Indomável sonhadora, O lado bom da vida, A hora mais escura, Lincoln, Os Miseráveis, Aventuras de Pi, Amour, Django livre e Argo, cada um a seu modo digno do prêmio que foi apresentado por ninguém menos que Jack Nicholson e a primeira Dama Michelle Obama (uma grande pegadinha, diga-se de passagem – sua presença fez todos pensarem que Lincoln seria o vencedor). Racionalmente pensando, acho que o prêmio deveria ir para Lincoln, filme incrível, emocionante, belo, uma verdadeira lição de vida, sem falar que é uma aula de história. Admito, Spielberg me surpreendeu, dou a mão à palmatória, sei que disse que não botava fé no filme na outra postagem, mas retiro o que disse, o filme me encantou. Se não fosse Lincoln eu jurava que seria Pi, o filme visualmente mais bonito, como já expliquei e reafirmei inúmeras vezes. Se fosse pensar em filme arte, aqueles que são a cara da Academia, penso que Os Miseráveis, Amour e Indomável Sonhadora seriam os que estavam mais perto de ganhar... Se fosse por gosto, meu gosto, seria Django! Filme engraçado, inteligente, divertido... três horas que passaram absurdamente rápido! Mas foi Argo novamente quem levou a estatueta e, creio eu, foi merecido. O filme parece ser muito bom e estou morrendo de vontade de ver. E, podem falar o quanto quiserem, mas gosto do Ben Affleck (diretor de Argo), admito. Gosto desde os tempos de Demolidor que nem foi tão ruim assim. Ele provou a todos do que é capaz, por isso, fiquei feliz por ele.
            Ainda que continue triste pela derrota de Tim Burton... e com isso me aproximo do fim desse texto. A cerimônia acabou, comentei todos os indicados e vencedores, mas faço questão de uma nota sobre os ESQUECIDOS de 2013.


As Injustiças do Oscar 2013
Assim como é justo louvar os vencedores, acho válido também lamentar os esquecidos, mas que mereciam ter seu trabalho reconhecido. O primeiro deles, obviamente, é Tim Burton, mas não vou comentar novamente para não ser repetitivo. Outra animação linda do ano passado que merecia estar no páreo é A Origem dos Guaridões, filme muito bonito, com excelente roteiro, um conto de Natal que encanta e emociona, ao som de uma trilha magistralmente composta por Alexandre Desplat.
Django, meu novo queridinho, também merecia mais algumas indicações: é injusto que Leonardo DiCaprio e Jamie Foxx não tenham sido indicados, respectivamente, como Melhor ator coadjuvante e Melhor ator, por suas excelente atuações em Django Livre. Ambos perderiam: o prêmio tinha mesmo de ser para Waltz e Day Lewis, mas ambos mereciam a lembrança. Assim como tantos atores incríveis de The Dark Night Rises, outro filme que foi sumariamente ignorado nesse Oscar e não recebeu nenhuma indicação. Morgan Frieman, Michael Caine, Marion Cotillard, Gary Oldman, Joseph Gordon-Levitt e Tom Hardy (respectivamente, Lucius Fox, Alfred, Miranda Tate, Comissário Gordon, Robin e Bane) mereciam, cada um deles, uma indicação como melhor coadjuvante, ou ao menos algum deles poderia ter sido indicado. Foi injusto esse esquecimento, como o foi não terem indicado Hans Zimmer como melhor compositor para este filme. Mas enfim, Hollywood tem uma dificuldade imensa em lidar com Super-heróis.
Outra gafe, foi não prestarem às devidas homenagens ao incrível Hobbit, de Peter Jackson, ao Gandalf de Sir Ian Mckellen e ao Torin de Richard Armitage. Sem mencionar a trilha de Howard Shore e a Canção Original Misty Montains. Aliás, a maior gafe em relação a trilhas foi Danny Elfman ter sido esquecido, mas enfim, isso eu já comentei.
Por fim, acho que Isabelle Allen (a pequena Cosette de Os Miseráveis) e Daniel Huttlestone, como o pequeno Gavroche também de Os Miseráveis, mereciam ser indicados como Melhores atores coadjuvantes. Mas o fato é que a Academia tem dificuldade em lidar com crianças geniais... E isso me lembra que o crítico Rubens Ewald Filho teve uma boa ideia: sugeriu uma categoria de Melhor ator infantil... Seria uma boa ideia, não?



Confira abaixo a lista de indicados e vencedores do Oscar 2013:

Melhor filme
“Indomável sonhadora”
“O lado bom da vida”
“A hora mais escura”
“Lincoln”
“Os miseráveis”
“Aventuras de Pi”
“Amour”
“Django livre”
“Argo” (VENCEU)

Ator coadjuvante
Christoph Waltz, “Django livre” (VENCEU)
Phillip Seymour Hoffman, “The Master”
Robert De Niro, “O lado bom da vida”
Alan Arkin, “Argo”
Tommy Lee Jones, “Lincoln”

Canção original
Before my time, “Chasing Ice”
Pi’s lullaby, “Aventuras de Pi”
Suddenly, “Les Misérables”
Everybody needs a best friend, “Ted”
Skyfall, “007 – Operação Skyfall” (VENCEU)

Atriz coadjuvante
Sally Field, “Lincoln”
Anne Hathaway, “Les Misérables” (VENCEU)
Jacki Weaver, “O lado bom da vida”
Helen Hunt, “The Sessions”
Amy Adams, “The Master”

Longa-metragem de Animação
“Frankenweenie”
“Piratas pirados”
“Detona Ralph”
“Paranorman”
“Valente” (VENCEU)

Filme estrangeiro
“Amour”, Áustria (VENCEU)
“No”, Chile
“War Witch”, Canadá
“A Royal Affair”, Dinamarca
“Kon Tiki”, Noruega

Roteiro adaptado
“Indomável sonhadora”
“Argo” (VENCEU)
“Lincoln”
“O lado bom da vida”
“Aventuras de Pi”

Roteiro original
“Flight”
“A hora mais escura”
“Django livre” (VENCEU)
“Amour”
“Moonrise Kingdom”

Melhor direção
David O. Russell, “O lado bom da vida”
Ang Lee, “As aventuras de Pi” (VENCEU)
Steven Spielberg, “Lincoln”
Michael Haneke, “Amour”
Benh Zeitlin, “Indomável Sonhadora”

Melhor ator
Daniel Day Lewis, “Lincoln” (VENCEU)
Bradley Cooper, “O lado bom da vida”
Joaquin Phoenix, “The Master”
Hugh Jackman, “Les Misérables”
Denzel Washington, “Flight”

Melhor atriz
Jessica Chastain, “A hora mais escura”
Jennifer Lawrence, “O lado bom da vida” (VENCEU)
Naomi Watts, “O impossível”
Emanuelle Riva, “Amour”
Quvenzhané Wallis, “Indomável sonhadora”

Direção de fotografia
Seamus McGarvey, “Anna Karenina”
Robert Richardson, “Django Livre”
Claudio Miranda, “As aventuras de Pi” (VENCEU)
Janusz Kaminski, “Lincoln”
Roger Deakins, “007 – Operação Skyfall”

Figurino
Jacqueline Durran, “Anna Karenina” (VENCEU)
Paco Delgado, “Les Misérables”
Joanna Johnston, “Lincoln”
Eiko Ishioka, “Mirror Mirror”
Colleen Atwood, “Branca de Neve e o Caçador”

Documentário
5 Broken Cameras
The Gatekeepers
How to Survive a Plague
The Invisible War
Searching for Sugar Man (VENCEU)

Documentário (curta-metragem)
Inocente (VENCEU)
Kings point
Mondays at Racine
Open Heart
Redemption

Montagem
“Argo” (VENCEU)
“Aventuras de Pi”
“Lincoln”
“O lado bom da vida”
“A hora mais escura”

Maquiagem
“Hitchcock”
“O Hobbit – Uma jornada inesperada”
“Os miseráveis” (VENCEU)

Trilha sonora
“Anna Karenina”
“Argo”
“Aventuras de Pi” (VENCEU)
“Lincoln”
“007 – Operação Skyfall”

Design de produção/ Direção de Arte
“Anna Karenina”
“O Hobbit – Uma jornada inesperada”
“Os miseráveis”
“Lincoln” (VENCEU)
“Aventuras de Pi”

Curta-metragem de animação
“Adam and dog”
“Fresh Guacamole”
“Head over heels”
“Maggie Simpson in ‘The longest daycare’”
“Paperman” (VENCEU)

Curta-metragem
“Asad”
“Buzkashi Boys”
“Curfew” (VENCEU)
“Death of a shadow”
“Henry”

Edição de som
“Argo”
“Django livre”
“Aventuras de pi”
“007 – Operação Skyfall” (VENCEU)
“A hora mais escura” (VENCEU)

Mixagem de som
“Argo”
“Les misérabes” (VENCEU)
“Aventuras de Pi”
“Lincoln”
“007 – Operação Skyfall”

Efeitos visuais
“O Hobbit – Uma jornada inesperada”
“Aventuras de Pi” (VENCEU)
“Os Vingadores”
“Prometheus”
“Branca de Neve e o Caçador”