segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Repostagem: Comentário sobre um livro de Felipe Pena

Olá, pessoal, tudo bem?
Essa é uma postagem diferente, aliás, é uma repostagem do texto "Uma grata surpresa - Comentário sobre um livro de Felipe Pena" que postei em 19 de Julho de 2010...
De modo geral, nunca reposto meus textos, mesmo porque nem há tanto texto assim a ser repostado; não obstante, esse é um caso particular. Recentemente, o escritor Felipe Pena relançou seu livro O Analfabeto que passou no vestibular (Ed. 7 Letras, 2008) pela Ed. Record e o renomeou como Fábrica de Diplomas, o primeiro volume de sua Trilogia do Campus (cujos número 2 e 3 são, respectivamente, os livros O Marido perfeito mora ao lado e O verso do cartão de embarque). Essa nova versão, tem outro nome, outra capa, outra editora, e, por isso, pede uma nova postagem...
Felipe Pena é escritor, jornalista, psicólogo e professor doutor da Universidade Federal Fluminense - UFF - além de ser figura recorrente aqui no blog Cérebro-Casa, tendo sido inspiração para as reflexões expostas nos textos "Para Refletir... [4]" e "Em defesa dos best-sellers". Uma vez feitas as devidas reapresentações, vamos à respostagem, propriamente dita, mise à jour e remodelada.
Uma Grata Surpresa - Comentário sobre O Analfabeto que passou no vestibular / Fábrica de Diplomas, de Felipe Pena.
Conheci o Felipe Pena em julho de 2010, no lançamento do novo livro do Orlando Paes Filho, Angus Vol. 3. O Orlando é um escritor que conheço de longa data... É um dos responsáveis pelo meu gosto por literatura e de certa forma por eu ter feito Letras. Antes de ler sua obra eu não gostava de literatura brasileira (salvo Machado e Álvares de Azevedo, é claro) o que era um absurdo sem tamanho. Além disso, eu tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente quando lançou seu primeiro livro (na época eu devia ter uns 14 anos), e desde então eu acompanho seu fantástico trabalho e em todos os lançamentos lá estou para prestigiá-lo.
Pois bem, ano passado lá estava eu novamente para ver o novo livro do Orlando. O evento foi na livraria Cultura do Conjunto Nacional e além da tradicional seção de autógrafos houve um bate-papo muito interessante entre o Orlando e Felipe Pena, um outro escritor que na época eu desconhecia... Não preciso dizer que o bate-papo foi demais! Orlando e Felipe trataram de tudo um pouco, desde o e-book e o mercado editorial até os novos caminhos da literatura contemporânea e a literatura no meio acadêmico. Em outras palavras: foi demais!
O Felipe também estava lançando um livro aquele dia O Marido Perfeito mora ao lado, seu segundo livro de ficção, mas seu décimo (se não me falha a memória) livro publicado. Papo vai papo vem, e o Felipe nos convidou para um outro bate-papo que haveria naquela mesma semana na livraria Saraiva do Shopping Morumbi.
Como o achei um cara muito legal e me interessei por seus livros, fui a esse outro bate-papo, interessado em saber mais sobre seus livros e sobre o tipo de literatura que ele escreve... Lá comprei seu primeiro livro de ficção O Analfabeto que passou no vestibular (relançado em 2011 pela Ed. Record com o nome Fábrica de Diplomas). Conversamos bastante no evento e tal... Enfim, passados uns dias comecei a ler o livro que de tal forma me encantou que terminei em dois dias.
Confesso que jamais havia lido algo do gênero. Ano passado, ainda guardava certa resistência com a literatura contemporânea nacional, à exceção dos livros do Orlando Paes Filho e do André Vianco, como já comentei inúmeras vezes, porém o livro do Felipe abriu minha cabeça e me mostrou um outro mundo literário que eu desconhecia, mas que acabei adorando.
Sempre li muito mais a literatura do Século XIX (sobretudo francesa e inglesa), e nas vezes em que me aventurei a ler autores do Século XX ou XXI foram autores ingleses ou norte-americanos, que, em sua maioria, escreviam literatura fantástica... Ou seja, havia um verdadeiro abismo entre o que eu estava habituado a ler e O Analfabeto que passou no vestibular, um romance contemporâneo, de um autor brasileiro, cuja trama gira em torno de um assassinato que acontece às portas de uma favela no Rio de Janeiro. Mais diferente impossível, mas nem por isso menos legal.
Este livro se passa no meio universitário, mas aborda também outros pontos delicados de nossa conjuntura social como a política, as favelas, as drogas e a corrupção. Com uma narrativa leve surpreendente Felipe nos guia através de uma intriga policial: uma tentativa de assassinato que acaba por se mostrar muito mais complexa do que parecia ao início.
Romance-denúncia, é como Felipe o chama, pois mostra (ou denuncia) a incompetência de diversas instituições brasileiras. O livro é uma espécie de romance policial moderno no melhor sentido do termo; seu detetive, Antonio Pastoriza (detetive por acaso, não por profissão), não fica nada abaixo de meu ídolo Sherlock Holmes e nem de seus rivais Poirot e Dupin, não apenas em genialidade como na composição da personagem, que ao mesmo tempo cativa e surpreende com sua personalidade complexa e perturbada.
Além de Pastoriza há ao menos uns outros 8 personagens fantásticos (se não me esqueço de nenhum), super bem construídos, capazes de suscitar o ódio e a simpatia do leitor (e apenas não os descrevo um a um para não tirar a graça de quem for ler o livro, como espero que façam)... Realmente são ótimos personagens, daqueles que você passa a acreditar que, de fato, existem. (Não obstante, se alguém quiser, já os descrevi e comentei detalhadamente num outro lugar, então posso colar aqui, se for o caso).
Enfim... O livro do Felipe abriu meus olhos para uma literatura que eu desconhecia e que me encantou e me fez ver quanta coisa boa está sendo feita e publicada, e quanta coisa boa há além do Orlando e do Vianco, afinal a literatura não morreu com Clarice Lispector e Bandeira (na minha opinião os maiores escritores brasileiros do século XX, mas nem por isso os últimos).
Sou grato ao Felipe por ter me mostrado esse novo mundo literário, um mundo que eu ignorava, mas que traz toda uma nova gama de possibilidades literárias tão boas (senão melhores) do que as que estava, então, acostumado. Fez-me também ter ainda mais gosto pela literatura brasileira contemporânea, e, de fato agora, estou descobrindo novos caminhos...
É curioso a forma casual como tomei conhecimento de Felipe Pena e seus livros... Mas a vida tem dessas coisas... Realmente foi uma grata surpresa...
PS: Vejam o Blog do Felipe Pena...