quinta-feira, 27 de junho de 2013

Breve análise estrutural de meus sonhos


Há pessoas que dizem não se lembrar de seus sonhos.
Eu não sei exatamente o que faz alguém lembrar ou não, mas agradeço a sorte de me lembrar  praticamente toda manhã de ao menos um dos sonhos que tive na noite anterior. Meus sonhos são em geral muito nítidos, e ainda que seus enredos sejam sempre insólitos, absurdos e fantásticos, são coerentes em si mesmos – por isso escolhi para ilustrar essa postagem o quadro Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã um segundo antes de acordar, de Salvador Dalí (1904-1989), achei que caía como uma luva. O mais bizarro talvez seja ainda o fato de que em grande parte das vezes eu saber que estou sonhando, eu até consigo interferir na narrativa, conscientemente, inclusive, para estendê-la quando a aventura (pois quase sempre são longas aventuras) está de meu agrado ou interrompê-lo quando já tive a dose de medo daquela noite.
Resolvi escrever um pouquinho sobre meus sonhos, pois percebi esta manhã que a estrutura narrativa deles está ficando, a cada dia, mais elaborada, e como no Cérebro não há espaço para tanta maluquice, o jeito foi vir para o Cérebro-Casa. Eu explico: já há tempos sonho muito mais em terceira pessoa do que em primeira (até aí, é razoavelmente normal, já li que minha geração tem essa tendência por ver muitos filmes e por causa de videogames.) para quem não sabe: sonhar em primeira pessoa é quando você vê o sonho a partir dos olhos do protagonista (que, em sonhos, não é sempre necessariamente a mesma pessoa que você é na vida, estou certo? Ao menos, eu nem sempre sou eu); já sonhar em terceira pessoa é quando você vê a personagem principal de cima, com certo recuo, como um “olho fora do corpo” (ela pode ser você ou não, no meu caso, geralmente sou eu), ou melhor, como a câmera de um filme ou como em videogames. Normalmente, esse “olho” está acima e um pouco recuado de modo a conseguir ver a cabeça da personagem e o que está ao redor dela. Parece maluco, mas muita gente sonha assim, sobretudo, pessoas mais jovens (pelos motivos que falei acima). Ainda que eu, particularmente, não seja fã de videogame, creio que sonhe assim por causa dos filmes...
Mas enfim, o que notei esta manhã é que de uns tempos para cá tenho tido sonhos nos quais há outro tipo de alteração de foco narrativo, também como em um filme ou livro. Não apenas eu vejo o sonho com um olhar em terceira pessoa, mas também passei a ver o que ocorre em outros lugares do sonho, com a consciência de que são outros lugares e de que eu (ou a personagem que acompanho) ainda estou no mesmo lugar. Se antes eu tinha uma espécie de onisciência seletiva colada a um só olhar, agora tenho tido experiência com a onisciência múltipla, verificando várias subtramas ao mesmo tempo, ainda que eu saiba todo o tempo quem sou eu e onde estou, sempre acompanhando um protagonista.
Vou dar um exemplo, no sonho desta noite, eu estava em uma cena X investigando algo (os detalhes do enredo me fogem, pois me concentrei em guardar a estrutura), daí houve um corte e eu vi em terceira pessoa o que faziam outras personagens de meu sonho, particularmente, o criminoso que eu estava investigando. Eu o vi do mesmo modo que me via na cena anterior, em terceira pessoa, mas sabia que não era eu ali, eu estava apenas o observando e não podia controlar suas ações, nem saber o que ele pensava, como acontece com o eu-protagonista; foi como um flashback ou um insight de minha própria personagem e quando voltei a minha cena, eu agi a partir daquele conhecimento novo, isto é, a partir da cena que o eu-narrador acompanhara o eu-personagem arquitetou seu plano... Bizarro, não?

O mais legal é lembrar bem de tudo isso, com detalhes, embora a trama em si já tenha sumido um pouco... Não sei dizer se o criminoso foi preso, apesar de muita vezes meus sonhos terem finais e eu acordar em seguida, como se a história de fato tivesse acabado... Muitos de meus sonhos eu já transformei em textos e contos (alguns publicados) e alguns eu ainda estou digerindo para ver se consigo pôr no papel. Hoje a história não era tão boa, mas pirei na estrutura...
Não sei se isso tudo que escrevi interessa a mais alguém se não a mim mesmo. Mas não tem problema, pois eu me divirto sozinho com meus sonhos!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Indicados ao Oscar 2013: alguns comentários BEM pessoais



Ontem foi divulgada a lista de filmes indicados ao Oscar 2013, que acontecerá no dia 24 de fevereiro, e como sempre, a lista veio cheia de surpresas, decepções e merecido reconhecimento. E como não perco de modo algum a grande premiação da Academia, resolvi postar algumas considerações (bem pessoais) sobre o que gostei e o que detestei dos indicados.
Começo com minha declarada decepção pelo baixo número de indicações para O Hobbit... Aposto que vão fazer como antes: vão esperar o terceiro filme para dar todos os prêmios possíveis de uma vez. E é bom que façam isso mesmo, pois o filme ficou incrível, merecia, no mínimo, duas indicações: Melhor Ator coadjuvante para Sir Ian McKellen e Melhor Canção Original para Misty Montains, sem dúvida uma das melhores músicas do ano. Sem falar Melhor Trilha Sonora para Howard Shore. Por outro lado, fiquei surpreso pela indicação de Adele e a sua incrível Skyfall como Melhor Canção Original. Realmente, o novo 007 é BEM melhor que os anteriores e a música tema é excelente. Espero que a Adele vença, já que Misty Montains foi tão injustamente ignorada. Ainda sobre a categoria Melhor Canção Original, um outro absurdo é ver uma música do filme Ted (um dos mais fracos do ano) sendo indicada. Realmente, foram injustos com O Hobbit. Agora é torcer pela canção da Adele ou por Pi's Lullaby do filme As Aventuras de Pi que também é linda...
Quanto aos prêmios principais, ainda não vi Lincoln, de Steven Spielberg, que levou DOZE indicações. Em geral, não costumo gostar dos filmes do Spielberg (salvo as comédias como Prenda-me se for capaz e O Terminal e a animação Tintin), mas torço muito pelas merecidíssimas ONZE indicações de As Aventuras de Pi, filme belíssimo em todos os sentidos: fotografia perfeita, bela trilha sonora, história de uma sensibilidade ímpar e excelente atuação. Torço muito, sobretudo, por Claudio Miranda, que dirigiu a fotografia do filme e já havia sido indicado em 2008 por O Curioso Caso de Benjamin Button, e foi também responsável pelo show de luzes em Tron – O legado. Ainda sobre As Aventuras de Pi, achei injusto Suraj Sharma, o Pi de 16 anos, não ter sido indicado como melhor ator. A atuação dele é incrível, sobretudo, por contracenar quase todo o tempo com um tigre de computação gráfica. Aliás, Richard Parker, o Tigre do filme, merecia algum tipo de menção honrosa, pois é realmente demais.

Quanto às animações, a Disney lidera como sempre com três indicações e como fã declarado dos estúdios do Mickey Mouse fico bem feliz com isso. Fico mais feliz ainda por Frankenweenie, a nova animação de Tim Burton (meu diretor favorito) estar entre os indicados, afinal, ninguém merece mais um Oscar do que ele que vem sendo sumariamente ignorado pela Academia. Por outro lado, a competição vai ser difícil, pois a concorrência está muito boa com as outras duas animações da Disney: Detona Ralph e Valente, ambos incríveis. Vai ser um páreo duro. Contudo, uma omissão terrível nessa categoria foi a não-indicação de A Origem dos Guardiões, sem dúvida um dos filmes mais bonitos do ano passado. Nos curtas de animação, eu tenderia a torcer pela querida Maggie Simpson, é evidente, porém, após ver a bela e singela história de amor de Paperman, não tenho dúvidas, de novo, opto pela Disney.
            A propósito dos prêmios técnicos, fiquei surpreso pela única indicação de Os Vingadores, não por achar que merecia muito mais – achei o filme bem aquém do barulho que fez –, mas como foi o “queridinho” de 2012, achei que talvez tivesse algum reconhecimento da Academia ao menos em prêmios técnicos. Do mesmo modo, para onde foram as indicações a Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge? Uma grande omissão, pois o fim da trilogia de Christopher Nolan é fantástico e merecia, ao menos, indicações técnicas e, sem dúvida, Hans Zimmer merecia uma indicação de Melhor Trilha Sonora. Aliás, Trilha Sonora é meu prêmio favorito, então, merece alguns comentários mais detalhados...
            Como eu disse, ainda não vi Lincoln, mas é óbvio que o trabalho de John Williams (que, aliás, sempre compõe as trilhas do Spielberg) está bom, pois sempre está. John Willians dispensa apresentações e está sempre entre os indicados, então, não é nenhuma surpresa e é sempre merecido. A trilha de Anna Karenina é de Dario Marianelli um compositor de quem gosto, mas conheço pouco (fez a trilha do filme Os Irmãos Grimm – talvez o que há de melhor no filme – e V de Vingança) e que normalmente não aparece em destaque, então, gostei da indicação, pois é inusitada. Alexandre Desplat, o compositor de Argo, é o cara do momento, tem composto tanto trilhas de filmes mais comerciais como mais artísticos e animações, são dele as trilhas de Harry Potter e as relíquias da morte – parte 1 e 2, A Origem dos Guardiões, Lua Nova (pois, a despeito de tudo, uma coisa é fato, a trilha sonora da Saga Crepúsculo é muito boa), A Rainha, A Árvore da Vida, O Curioso Caso de Benjamin Button, dentre tantos outros para citar apenas filmes recentes. Desplat é o cara da vez nas trilhas sonoras e suspeito que vá levar o prêmio. A trilha de 007 – Operação Skyfall ficou a cargo do incrível Thomas Newman que merece destaque pelos trabalhos em Wall-E, Procurando Nemo, e Desventuras em série (que a despeito de ser fraco como filme, tem uma das melhores trilhas sonoras que conheço). Newman assim como Desplat seriam meus favoritos, não fosse a indicação de Mychael Danna, responsável pela trilha de As Aventuras de Pi, que me encantou com seu exotismo e harmonia. Danna já havia feito grandes trilhas em O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, Quem Quer ser um Milionário e Pequena Miss Sunshine, então, nada mais do que merecido se sair vencedor. Mas a disputa está acirrada e o John Williams está concorrendo então fica difícil.
            As categorias de atores me interessam menos, mas posso deixar de comentar, que Hugh Jackman sempre merece um prêmio, então, torço por ele em Melhor AtorPor fim, fica a nota de que preciso muito ver Os Miseráveis.

            Confira abaixo a lista de indicados do Oscar 2013:


Melhor filme
“Indomável sonhadora”
“O lado bom da vida”
“A hora mais escura”
“Lincoln”
“Os miseráveis”
“Aventuras de Pi”
“Amour”
“Django livre”
“Argo”

Ator coadjuvante
Christoph Waltz, “Django livre”
Phillip Seymour Hoffman, “The Master”
Robert De Niro, “O lado bom da vida”
Alan Arkin, “Argo”
Tommy Lee Jones, “Lincoln”

Canção original
Before my time, “Chasing Ice”
Pi’s lullaby, “Aventuras de Pi”
Suddenly, “Les Misérables”
Everybody needs a best friend, “Ted”
Skyfall, “007 – Operação Skyfall”

Atriz coadjuvante
Sally Field, “Lincoln”
Anne Hathaway, “Les Misérables”
Jacki Weaver, “O lado bom da vida”
Helen Hunt, “The Sessions”
Amy Adams, “The Master”

Longa-metragem de Animação
“Frankenweenie”
“Piratas pirados”
“Detona Ralph”
“Paranorman”
“Valente”

Filme estrangeiro
“Amour”, Áustria
“No”, Chile
“War Witch”, Canadá
“A Royal Affair”, Dinamarca
“Kon Tiki”, Noruega

Roteiro adaptado
“Indomável sonhadora”
“Argo”
“Lincoln”
“O lado bom da vida”
“Aventuras de Pi”

Roteiro original
“Flight”
“A hora mais escura”
“Django livre”
“Amour”
“Moonrise Kingdom”

Melhor direção
David O. Russell, “O lado bom da vida”
Ang Lee, “As aventuras de Pi”
Steven Spielberg, “Lincoln”
Michael Haneke, “Amour”
Benh Zeitlin, “Indomável Sonhadora”

Melhor ator
Daniel Day Lewis, “Lincoln”
Bradley Cooper, “O lado bom da vida”
Joaquin Phoenix, “The Master”
Hugh Jackman, “Les Misérables”
Denzel Washington, “Flight”

Melhor atriz
Jessica Chastain, “A hora mais escura”
Jennifer Lawrence, “O lado bom da vida”
Naomi Watts, “O impossível”
Emanuelle Riva, “Amour”
Quvenzhané Wallis, “Indomável sonhadora”

Direção de fotografia
Seamus McGarvey, “Anna Karenina”
Robert Richardson, “Django Livre”
Claudio Miranda, “As aventuras de Pi”
Janusz Kaminski, “Lincoln”
Roger Deakins, “007 – Operação Skyfall”

Figurino
Jacqueline Durran, “Anna Karenina”
Paco Delgado, “Les Misérables”
Joanna Johnston, “Lincoln”
Eiko Ishioka, “Mirror Mirror”
Colleen Atwood, “Branca de Neve e o Caçador”

Documentário
5 Broken Cameras
The Gatekeepers
How to Survive a Plague
The Invisible War
Searching for Sugar Man

Documentário (curta-metragem)
Inocente
Kings point
Mondays at Racine
Open Heart
Redemption

Montagem
“Argo”
“Aventuras de Pi”
“Lincoln”
“O lado bom da vida”
“A hora mais escura”

Maquiagem
“Hitchcock”
“O Hobbit – Uma jornada inesperada”
“Os miseráveis”

Trilha sonora
“Anna Karenina”
“Argo”
“Aventuras de Pi”
“Lincoln”
“007 – Operação Skyfall”

Design de produção
“Anna Karenina”
“O Hobbit – Uma jornada inesperada”
“Os miseráveis”
“Lincoln”
“Aventuras de Pi”

Curta-metragem de animação
“Adam and dog”
“Fresh Guacamole”
“Head over heels”
“Maggie Simpson in ‘The longest daycare’”
“Paperman”

Curta-metragem
“Asad”
“Buzkashi Boys”
“Curfew”
“Death of a shadow”
“Henry”

Edição de som
“Argo”
“Django livre”
“Aventuras de pi”
“007 – Operação Skyfall”
“A hora mais escura”

Mixagem de som
“Argo”
“Les misérabes”
“Aventuras de Pi”
“Lincoln”
“007 – Operação Skyfall”

Efeitos visuais
“O Hobbit – Uma jornada inesperada”
“Aventuras de Pi”
“Os Vingadores”
“Prometheus”
“Branca de Neve e o Caçador”