domingo, 23 de novembro de 2014

Não custa nada dizer que o livro tem sequência

         Acabo de ler dois livros muito, mas muito legais: O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares, de Ransom Riggs e O Peculiar, de Stefan Bachmann. Dois livros de fantasia BEM diferentes um do outro (sobre os quais escrevi no blog, em textos que nomeei como Primeiras Impressões (Extremamente Pessoais) e Steampunk e Magia Antiga, respectivamente), mas que, a despeito de todas as qualidades (e são muitas) trazem um defeito bastante incômodo (para dizer o mínimo): são séries. Não que eu tenha qualquer problema com séries. MUITO pelo contrário: eu as adoro. Sou fã de Harry Potter, de J. K. Rowling, das Crônicas de Gelo e do Fogo, de George R. R. Martin, das Crônicas Vampirescas, de Anne Rice e das muitas sagas de Bernard Cornwell, para citar apenas alguns exemplos. Ou seja, esse não é o problema em si. O que detesto, na verdade, é ler um livro SEM SABER que, na verdade, ele é uma série. Afinal, não custa nada dizer que o livro tem sequência, não é mesmo?

  Esse é o caso de O Peculiar e O Orfanato da Srta. Peregrine... Em ambos não há o MENOR indício de que suas histórias não se completam em si mesmas. E não são, é importante explicar, aquele caso de livro que termina com um gancho para uma possível continuação, mas que não exigem a leitura do possível livro 2. Não. Os dois livros que mencionei acima são livros que pressupõem uma sequência em sua essência. A história de ambos acaba no meio, como um fim de capítulo, deixando o leitor com cara de bobo, pois, em última instância, foi ludibriado, por não saber que se tratava de uma saga... Nestes livros, não há qualquer numeração que indique que se trata do número 1 de uma série, ou o nome da saga ou coleção. Não há nada. Simplesmente, percebi que haveria uma sequência quando há poucas páginas do final me dei conta de que a história não conseguiria se fechar em si mesma. Não é o caso, por exemplo, de A Corte do Ar, que embora tenha continuações é sozinho uma história completa, com começo, meio e fim.

       Curiosamente, por coincidência, essa semana uma grande amiga, a escritora e editora Ana Cristina Rodrigues, postou em seu Facebook um comentário sobre livros de fantasia que não são séries, como Jonathan Strange & Mr. Norrel, de Susanna Clarke (sobre o qual já falei no texto Um Outro tipo de Mago), e sobre o quanto este tipo de livro parece cada vez mais raro na fantasia contemporânea, o que, por sua vez, estaria fazendo com que as pessoas se cansassem de ler sagas...
         Particularmente, nada tenho contra séries, como já disse. Porém, irrita-me muito começar a ler uma sem saber com antecedência que se trata de uma série (afinal, às vezes, você não está com espírito para ter de ler vários livros – muitas vezes ainda nem lançados ou sequer escritos, o que é pior – para poder saber qual é o fim da história). Logo, o problema todo está na falta de informação (meio maldosa, eu diria, pois, na verdade é uma omissão). Afinal, o que custa avisar que o livro tem sequência?


        PS: Embora eu possa parecer um pouco irritado (e estou mesmo), com O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares e com O Peculiar, continuo indicando ambos fortemente! (Caso você queira iniciar a leitura de duas novas séries, é evidente). Os dois são excelentes e deixaram, confesso, uma vontade imensa de ler mais sobre seus respectivos universos (como não poderiam deixar de ser, já que não têm fim em si mesmos). Espero, portanto, que as continuações, já lançadas fora do Brasil (The Whatnot, de Stefan Bachmann, e Hollow City, de Ransom Riggs), cheguem logo por aqui, pois parece que agora tenho duas novas séries para acompanhar.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Steampunk e Magia Antiga na Fantasia Contemporânea


            Nota preliminar: Quando comecei a escrever esse texto, a ideia era fazer uma resenha do livro O Peculiar, de Stefan Bachmann, um livro juvenil incrível; porém, à medida que fui escrevendo, fui me lembrando de muitos outros livros que, de um jeito ou de outro, conversam com o livro de Bachmann, de modo que acabei me desviando do objetivo primeiro. Por isso, esse texto, mais do que uma resenha de O Peculiar é, antes, um comentário sobre os livros de fantasia contemporânea que mesclam o gênero steampunk com elementos celtas, evocando a Antiga Magia feérica e folclórica daquele povo e como eles todos dialogam com o livro de Stefan Bachmann. Mas vamos ao texto...


Steampunk e Magia Antiga em O Peculiar e em outros livros de Fantasia Contemporânea

       Sempre fui apaixonado pela Era Vitoriana. Pelos livros da época, pelas roupas, pela elegância, pela atmosfera. Por muito tempo, quase todas as minhas leituras eram de livros escritos nesse período, como os de Sir Arthur Conan Doyle ou os de Robert Louis Stevenson. Depois, comecei a ler os livros que se passavam nessa época, independentemente do período em que haviam sido escritos, e, assim, ao longo do tempo, descobri dois de meus livros favoritos: Jonathan Strange & Mr. Norrell, de Susanna Clarke (publicado no Brasil pela Cia. das Letras, sobre o qual falei aqui no blog há quatro anos, em um texto chamado “Um outro tipo de Mago”) e o recente A Corte do Ar, de Stephen Hunt (publicado no Brasil pela Editora Saída de Emergência, em edição que tive a honra de trabalhar como preparador de texto).

        O livro de Hunt me fez olhar com outros olhos para a Era Vitoriana, apresentando-me um mundo à parte chamado Steampunk, sobre o qual (fui perceber) eu conhecia ainda muito pouco, tendo lido apenas alguns contos e coletâneas de escritores amigos. Logo, enquanto o livro de Susanna trazia uma Inglaterra histórica, a mim já familiar, ainda que repovoada por magos e seres feéricos, na qual acontecimentos históricos (como as guerras napoleônicas) e personagens da vida real (como o Duque de Wellington e o Rei da Inglaterra) se entranhavam a personagens e reinos fictícios, A Corte do Ar trazia uma Inglaterra distorcida pelo vapor. Aliás, Chacália, como é chamada no livro, não é exatamente a Inglaterra de fato, mas o é, sem o ser. Explico: Chacália é uma espécie de Inglaterra alternativa, distópica e retrofuturista; em outras palavras: é uma visão de como a Inglaterra poderia ter sido, mas não foi (aliás, essa é a essência de toda narrativa steampunk). O ambiente vitoriano está lá, ainda que não haja uma Rainha Vitória, assim como está lá a essência do povo inglês. Tanto em Jonathan Strange... quanto em A Corte do Ar, a magia se mescla à vida cotidiana dos cidadãos do reino. No primeiro, por meio de magos que, a despeito de seus poderes, têm uma curiosa preocupação com a vida social, com bailes e festas da alta sociedade, como nos livros de Jane Austen e Charles Dickens, e hábitos esquisitos, como o de viajar por espelhos, ou ainda, por meio de seres feéricos que passeiam entre os reinos espirituais existentes entre a Inglaterra e o Inferno. No segundo, há um tipo de magia mais excêntrica, que dá vida à raça dos homens-vapor e confere poder aos seres humanos que cruzam a linha do país dos encantados. Em ambos, elementos feéricos de tradição folclórica celta se entremeiam ao clima urbano da velha Londres (e de Açomédio, de sua prima-irmã de Chacália).

       A essa altura você provavelmente entendeu porque esse texto deixou de ser uma resenha de O Peculiar... O fato é que me parece praticamente impossível entender o universo do livro de Bachmann sem mencionar antes Jonathan Strange & Mr. Norrell e A Corte do Ar com os quais tão claramente dialoga, ainda que não expressamente. O fato é que ao ler O Peculiar não pude deixar de lembrar dos outros dois livros de que tanto gosto. E, para falar a verdade, foi justamente por conta deles que cheguei a Bachmann, pois foi somente depois de ter lido Stephen Hunt que fiquei realmente encantado com esse novo olhar sobre o mundo vitoriano e, por isso, resolvi buscar mais coisas sobre o universo steampunk. Assim, depois de ler mais algumas obras nacionais e artigos sobre o gênero (alguns deles na Revista Bang! sobre a qual postarei algo em breve) cheguei a dois livros juvenis ligados a esse gênero: Voos e Sinos e Misteriosos Destinos, de Emma Trevayne (publicado no Brasil pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras) e o próprio O Peculiar, de Stefan Bachmann (publicado no Brasil pelo selo Junior, da Editora Record). Li primeiro o livro de Trevayne, que, mais do que tudo, eu confesso, encantou-me pela capa maravilhosa e pelas ilustrações internas incríveis de Glenn Thomas
       Esse livro traz a nossa Londres Vitoriana real, onde Jack, um menino rico (e um tanto mimado) vive uma vida bastante enfadonha. Até que um dia ele descobre uma passagem secreta sob o relógio da cidade, que o leva à Londinium, uma espécie de outra Londres, habitada por seres feéricos mecânicos e também por seres humanos semi-mecânicos, cujas mãos, pés ou parte do rosto foram substituídos por aparatos a vapor, misturando, assim, a antiga magia e o steampunk, tal como em A Corte do Ar (em certa medida, Londinium é muito parecida, portanto, com a Açomédio de Chacália).
       Em muitos aspectos, é evidente, o diálogo com Hunt, mas também senti ecos de Coraline, de Neil Gaiman, por também trazer um mundo mágico que espelha o mundo real, governado por uma senhora tirânica que deseja capturar o protagonista e cria-lo, a seu modo torto, como seu próprio filho. A despeito das semelhanças, porém, Coraline não é um livro steampunk e tampouco traz elementos do folclore celta então paro por aqui. Um livro sempre leva a outro e assim por diante, então é preciso saber a hora de não ir mais além. Voltemos ao steampunk para chegar, finalmente, a O Peculiar. E espero que agora tudo o que eu falei faça sentido, pois, como eu disse, era sobre ele que queria escrever em primeiro lugar, livro que, para mim, é a mistura do universo steampunk de Hunt e Trevayne com o mundo vitoriano da alta sociedade repleto de magia celta e feérica encontrado em Susanna Clarke.

       O Peculiar começa contando como a nossa Inglaterra (a real, portanto) se tornou um mundo steampunk por culpa (ainda que indiretamente) das fadas e demais seres feéricos, como goblins, gnomos, elfos, trolls, etc. Logo, já na premissa temos a mistura sobre a qual quis chamar a atenção no título desse texto.
      Tudo se inicia em Bath, uma cidade interiorana, onde começaram a ocorrer diversos eventos extraordinários (como uma chuva de penas pretas, como as de corvos para citar apenas um), e, a princípio, inexplicáveis, que revelam a existência das fadas e demais criaturas feéricas. É então declarada a guerra. Humanos e feéricos lutam pela Inglaterra em uma batalha dura e longa. Ao fim de algum tempo, os feéricos são finalmente vencidos pelos ingleses que descobrem ser preciso utilizar ferro e destruir a natureza (da qual os feéricos tiram sua força) para combatê-los (não se preocupem com spoilers, pois isso tudo acontece nas primeiras cinco páginas do livro).

       Suplantados, os feéricos passam a viver entre os humanos em um mundo cada vez mais poluído, enfumaçado, cinza e movido a óleo e vapor. Ou seja, de um universo semelhante ao de Susanna Clarke chegamos a algo parecido à Chacália de Hunt e à Londinium de Trevayne. O steampunk invade, pois, o mundo celta da antiga magia e a ele se mistura. Feéricos passam a viver como ingleses, só que são marginalizados. Pobres, vivem em cortiços da periferia de Londres. Não obstante, ajudam os ingleses em muitas coisas - como por exemplo nas guerras napoleônicas, quando os ingleses vencem apenas devido a ajuda dos trolls e gigantes (guerras que também são mencionadas no livro de Susanna Clark, no qual a Inglaterra somente consegue vencer por causa do mago Jonathan Strange).
       Talvez essa atmosfera que misture trolls, fadas, elfos e tecnologia a vapor lembre ainda os HQs e filmes do Hellboy, de Mike Mignola, abrindo uma nova rede intertextual. E lembra mesmo, sobretudo o segundo filme, no qual Hellboy conhece um ser ectoplasmático de vapor vivendo em um corpo de autômato, dentre outras coisas, como os óculos steampunk que usam para poderem ver seres feéricos. Penso sobretudo na cena do mercado troll, sob a ponte do Brooklin, que aparece no segundo filme da saga, no qual vive toda sorte de criaturas.
Mercado Troll de Hellboy II - O Exército Dourado
      É esse o ambiente de O Peculiar. E é nesse contexto que surgem os dois protagonistas: Bartholomew Kettle, um menininho “peculiar” (isto é um mestiço, filho de uma humana com um feérico) e Arthur Jelliby, um membro da alta sociedade londrina e do parlamento. Ambos desejam, a seu modo, passar sempre despercebidos. O primeiro, porque os peculiares são mal vistos tanto pelas fadas quando pelos humanos que os marginalizam (motivo pelo qual são também conhecidos como “medonhos”); o segundo, porque quer evitar problemas, já que deseja uma vida tranquila (e é extremamente preguiçoso). Ambos, porém, acabam presenciando cenas que não deveriam, ouvindo e vendo coisas demais, sobre uma série de assassinatos de crianças peculiares que vem assolando o país. Descobrem, então, que Barth pode estar em risco e Arthur decide não ficar de braços cruzados, pois apesar de seu desejo de sempre evitar problemas (e de sua imensa preguiça) sua honra não o deixa ficar parado (ele é um nobre inglês, afinal). Tudo isso em meio a conflitos políticos que são muito maiores do que parecem a princípio e dizem respeito a grandes planos megalomaníacos de um importante lorde (assim como, outra vez, em A Corte do Ar, cuja conspiração atinge até mesmo as camadas mais altas da cúpula que governa Chacália). E é nessa atmosfera que se desenvolve essa história deliciosa.
       Tudo isso para dizer simplesmente que recomendo fortemente a leitura de todos esses livros, na esperança de que mais pessoas se encantem com esse universo povoado por fadas e gnomos e seres movidos a vapor.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Primeiras impressões (extremamente pessoais) sobre "O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças peculiares", de Ransom Riggs

           Decidi comprar o livro O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs, por um simples motivo: o filme vai ser adaptado e o diretor vai ser ninguém menos do que o mestre Tim Burton, que é indiscutivelmente meu diretor favorito. Isso não bastasse, na quarta-capa da edição brasileira, publicada pela Editora Leya, há a seguinte citação:

         Vocês têm certeza de que não fui eu quem escreveu esse livro? Parece algo que eu teria feito... Tim Burton.

         Isso já foi suficiente para eu querer ler. Ajuda também o fato do livro ser muito bonito. Não de uma beleza comum. O livro é todo peculiar, digamos assim, desde a capa propositadamente envelhecida aos desenhos internos, já que é todo ilustrado por fotos reais de época, que retratam supostas atividades paranormais a partir das quais a trama se desenvolve (curiosamente, esse tipo de foto é o material de pesquisa de um grande amigo, o que só despertou ainda mais a minha curiosidade – ao lado e abaixo veja duas das fotos em questão). E mal comecei a leitura, fui tomado pelo livro de tal forma que senti uma necessidade imensa de vir escrever algo sobre ele antes mesmo de terminar a leitura [e adianto desde já que vou dar alguns pequenos spoilers adiante sobre os três primeiros capítulos, mas nada que não esteja subentendido na orelha do livro, de todo modo, a etiqueta pede que eu os avise].


         Logo em seu prólogo, o livro de Ransom Riggs mexeu muito comigo. O começo lembra muito Peixe Grande e suas histórias maravilhosas (que, não por acaso, também virou filme nas mãos de Tim Burton) e traz uma atmosfera que em dada medida me lembrou Onde vivem os monstros? – mas isso é só no prólogo mesmo. O autor nos apresenta então a relação de fã e herói entre um menino e seu avô, o que logo de cara já criou uma grande empatia de minha parte, saudoso como sou de meu avô materno. O Sr. Portman (o avô de Jacob, protagonista do livro), tal qual o meu avô, era um contador de histórias; as dele, fantásticas, as do meu, reais. Mas nem por isso menos fantásticas.


Sem saber se são verdade ou não, Jacob ouve as histórias de seu avô, ora acreditando, ora duvidando, torcendo para que sejam verdadeiras. Como em Peixe Grande, as histórias do Sr. Portman parecem reais, mas talvez sejam exageradas demais, seja porque quem as conta é um neurótico de guerra, seja porque quem as ouve é um menininho que idolatra seu avô. E a explicação, a princípio, é exatamente essa. Não bastasse ser um neurótico de guerra com transtorno pós-traumático, o Sr. Portman é um exilado. Polonês e judeu, foi mandado embora de sua pátria por seus pais que tentavam salvá-lo da Segunda Guerra. Ao ler isso, minha mente foi longe de volta à minha própria história... Lembrei-me de meu bisavô paterno, que pouco ou quase nada conheci (ele morreu quando eu tinha um ano), mas que, segundo minha família conta, também era um neurótico de guerra, que teria fugido da Lituânia com a roupa do corpo e um cavalo rumo a Hamburgo, onde embarcou rumo ao Brasil, também para fugir da guerra (conta-se na minha família também que no meio do caminho ele teve de matar o cavalo para comer, pois não tinha mais nada consigo – mas a linha que divide o que é real nessas histórias de família e o que é imaginação é bem tênue e como meu bisavô já partiu sua figura a cada vez mais vai sendo envolta de mistério). Ou seja, tal qual a ficção, na vida, a realidade se entremeia por fantasia. Fui lendo e viajando em memórias. Minha mente também passeou por lembranças contadas para mim pela mãe de um tio judeu, cuja história é tão incrível quanto a do Sr. Portman, só que ao invés da Polônia ela fugiu do Egito e sua história é digna de um livro. De meu avô materno, lembrei de suas histórias sobre seu próprio avô, que era ator e dramaturgo e que escrevia peças fantásticas. Segundo meu avô me contou, o avô dele veio para o Brasil se apresentar com sua companhia por aqui, mas a Primeira Guerra estourou e ele acabou não voltando mais à Itália. São tantas lembranças. Afinal, avôs e avós são sempre contadores de histórias. E quando essas histórias envolvem guerra, normalmente, são histórias de terror, e é assim que parecem as histórias do Sr. Portman num primeiro momento. Histórias horríveis, mas assustadoramente reais. Mas voltemos ao livro de Riggs.
O primeiro capítulo me tirou o fôlego, pois, se num primeiro momento ficamos totalmente encantados com a história do avô e de seu neto, no momento seguinte sentimos esse avô sendo tirado de nós e compartilhamos da intensa dor de Jack. Dor que se torna mais intensa para quem já sentiu isso na vida real, e, sobretudo, numa semana em que dois amigos acabaram por passar pela mesma situação. A nostalgia e a melancolia estavam à flor da pele. O livro despertou certa tristeza ao mesmo tempo que um sentimento de solidariedade em relação a Jacob, tornando a leitura ainda mais intensa. Afinal, somos todos netos de contadores de histórias e certamente o momento mais fantástico, em seus dois sentidos, da vida de cada um de nós são as histórias de nossos avós (ao menos daqueles que tiveram a sorte de conhecê-los).
E com tantos avós em mente continuei a leitura, eivado de nostalgia, melancolia e empatia, completamente imerso nesta deliciosa experiência, que, de fato, poderia ter sido escrita por Tim Burton (e que eu adoraria ter escrito) e cujo fim, por incrível que pareça, ainda estou por descobrir. Depois venho contar o que achei.